UM AMOR, UM VERÃO
Em um verão desses
fui para a casa do meu pai, distante 600 quilômetros onde eu moro. Todo o ano
era a mesma coisa. Papai praticamente exigia minha presença, já que ficamos sem
nos ver quase o ano inteiro. Sempre achei enfadonho. A gente não tinha muito em
comum.
Mas aquele ano foi
diferente. Naquele ano eu conheci a Flavinha.
Posso dizer que me
apaixonei no instante que pus os olhos nela. Ela era uma gata. 18 anos,
loirinha, rosinha nos lugares certos. Passei o verão todo com ela. Foi
incrível, melhores férias da minha vida.
Mas chegou o
momento de eu voltar pra casa.
Choramos os dois.
Prometemos amor eterno e jurei que daria um jeito de voltar nas férias de
inverno. Lembro que vim dentro do ônibus chorando mansinho para ninguém
perceber meu sofrimento.
Comecei a trabalhar
em março com um objetivo: comprar uma aliança de noivado e selar compromisso em
julho, quando fosse visitá-la novamente. Nós falávamos sempre. Flavinha nem
suspeitava da surpresa que eu estava por fazer.
Mas, um mês antes
de ir vê-la outra vez, Flavinha me enviou uma mensagem rompendo nosso
relacionamento, alegando que a distância tinha afetado nosso namoro. Não
acreditei. Li tudo o que ela escreveu, magoado e devastado. Nem respondi.
Guardei a dor pra mim. E eu até já tinha comprado a aliança.
Duas semanas
depois, ainda sofrendo muito com o término, um amigo lá da cidade do meu pai
ligou para mim. Sem jeito, ele me revelou que Flavinha e meu pai estavam
juntos. Me desesperei entendendo tudo. Pior ainda foi quando meu parça contou
que ela estava grávida.
Foi a pá de cal.
Minha ex-namorada era agora minha madrasta. E meu mais novo irmão seria filho
dela.
Bebi todas naquele
dia infeliz. Joguei a aliança no rio. E, com 19 anos, jurei nunca mais me
apaixonar por nenhuma mulher.
Foi quando eu caí
na putaria.

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