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Mostrando postagens de outubro, 2020

MORRA

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    Ele era meu chefe. Nem era tão bonito assim, mas eu era apaixonada por ele. Não sei o que me atraía. O poder. A voz grossa. O fato de ser mais velho. Na minha cegueira de paixão achava também que ele era louco por mim. De onde tirei esta maluquice não faço ideia. O fato é que ele me tratava bem, sempre gentil, elogiava meu trabalho. Mal reparava que o cara era assim com meus outros colegas. Nos meus sonhos mais loucos nós nos casávamos e vivíamos um amor de sonhos. Para não cair no ridículo, eu sabia disfarçar muito bem meus sentimentos. Lá no escritório ninguém sabia o quanto eu adorava aquele homem.   Ele era tudo pra mim. Eu era capaz de fazer qualquer coisa por ele. Mesmo, de verdade.   Um dia voltei do almoço e encontrei a esposa dele lá. Foi um choque e eu tive que engolir a seco. A desgraçada era linda. Jovem, longos cabelos louros, olhos verdes. Nem parecia ser de verdade. Fui obrigada a cumprimentá-la como se a achasse o máximo. Aliás, o clima de p...

ERA UMA VEZ... HELENA

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  Recebi aquela ligação tarde da noite. Eu ainda estava acordada, me enrolando para ir para a cama. Então meu celular tocou. Pensei seriamente em não atender até que vi no visor que era a Fabi, minha melhor amiga. Para ela me ligar naquele horário alguma coisa estranha, no mínimo, grave, tinha acontecido.          — Oi, Fabi. Que susto você ligar agora.          Ela parecia excitada do outro lado da linha.          — Tenho uma bomba para te contar. É melhor que você sente em algum lugar.          Opa. Fiz o que ela sugeriu. Sentei na cama e esperei a novidade.          — Está certo, pode contar agora.          — A Helena morreu.          Foi um soco no meu peito. Helena, aquela desgraçada.          — Morreu? De que jeito? – eu não sabia bem como processar aquela informação.   ...

A BRUXA

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  A mãe de Anya terminou de preparar uma cesta grande com várias frutas, pães e um pote de mel. Obediente, a garota aguardava ao lado da mesa a mãe colocar um pano por cima dos quitutes. Finalmente chegara a hora que ela mais esperava. O grande dia da visita à avó. Linette vivia no interior do bosque, cercada por seus gatos e cachorros e nem sempre elas podiam se ver. Mas o dia amanhecera esplendoroso e Anya se sentia muito bem e disposta.   — Pronto, minha filha. Aqui está o presente para sua avó. Se você seguir pelo caminho certo, não demora uma hora para chegar até lá. Mas não se desvie. Quero que você esteja aqui antes do pôr-do-sol. — Está bem, mãe. Anya pegou a cesta de vime e encaixou no braço. Estava acostumada a fazer aquelas caminhadas pelo bosque verdejante do vilarejo. Não havia perigo. Os animais se escondiam no interior da floresta e era só seguir a trilha. Mesmo quando um dia Anya se atrasou para voltar da casa de vó Linette, foi só seguir a trilha ilumina...

ELIENE E O REI

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  Quando Eliene abriu a janela do seu quarto ficou surpresa com a quantidade de brumas que cercavam a casa e o bosque inteiro. Não era uma visão que gostasse. A jovem adorava admirar o verde das árvores e o colorido das flores. Mas as brumas estavam densas aquela manhã e até o sol firmar seria por volta do meio dia. Aborrecida, Eliene foi para a cozinha. Tinha apenas 18 anos, porém vivia sozinha há algum tempo desde que o pai morrera daquela gripe terrível que levara boa parte dos idosos da aldeia. Não era tão ruim viver assim, ela se deu conta pouco tempo depois. Eliene fazia alguns trabalhos nas casas da vizinhança para manter-se. E, algumas vezes, recebia na sua casa viajantes que passavam pela aldeia e precisavam de um pouco de descanso antes de seguirem adiante. Além de hospedá-los, Eliene recebia um dinheiro extra por servicinhos também extras. A vizinhança, era sabido, não via aquilo com bons olhos, principalmente as mulheres. Contudo, Eliene não se envolvia com os homens ...