A COISA DO MD
Sinopse: no nem assim tão tranquilo bairro Menino Deus, os moradores são assombrados por mortes inexplicáveis. Uma criatura misteriosa de origem desconhecida começa a aterrorizar a comunidade, deixando a todos em um estado de pânico permanente.
Depois de 15 dias de chuva incessante em Porto Alegre, aquela quinta-feira amanheceu com uma brisa agradável no bairro Menino Deus. Cecília acordou cedo com os raios de sol entrando pelas frestas da persiana e levou alguns segundos até se dar conta que a chuva tinha dado uma trégua.
Animada, Cecília decidiu sair da cama naquele momento. Não eram nem
sete horas da manhã, mas precisava aproveitar o sol para lavar a roupa suja
acumulada dentro da máquina de lavar. Antes, porém, decidiu tomar um chá de
hortelã. Cantarolando, esquentou a água no micro-ondas e foi para a janela. Bem
em frente passava o arroio Dilúvio com suas águas barrentas e alguma
correnteza. Ela gostava de dizer às amigas que o Dilúvio, com todas suas
peculiaridades, era um ponto turístico que passava bem em frente ao seu
apartamento.
Naquele dia, contudo, o Dilúvio estava um pouco diferente.
*
O líquido quente do chá desceu goela baixo queimando-lhe a
garganta. Cecília pousou a xícara na mesa, pegou o binóculo que sempre estava à
mão e mirou as águas. Alguma coisa estranha boiava por ali. Ela ajustou o
binóculo e engoliu um grito. Trêmula, agarrou o celular e ligou para o 190.
― Bom dia – Cecília precisou de
um tempo para recuperar o fôlego. ― Um corpo sem
cabeça está sendo levado pelo arroio Dilúvio neste exato momento.
A polícia militar
não levou muito tempo para chegar. Aquela altura o homem (pela roupa era um
cadáver do sexo masculino), tinha parado junto às escadarias do Dilúvio. A
movimentação começou a atrair gente. Carros paravam para ver o que estava
acontecendo. Pessoas se acotovelavam na ponte da Getúlio para ver melhor o trabalho
dos bombeiros na remoção do corpo. Mirna, a vizinha que sempre sabia das
notícias em primeira mão para depois divulgá-las amplamente em sua rede de
contatos, não se conformava.
― Como eu não soube
de nada? Eu sou a primeira pessoa a acordar neste bairro e não vi nada. Nada!
Um morador sem teto
das redondezas e que vivia pelo bairro, ora sumindo, ora retornando, comentou. ― Este corpinho eu nunca vi. Acho que não é aqui do bairro.
O burburinho
aumentava. Mais viaturas da polícia chegaram. Os bombeiros retiraram, enfim, o
cadáver de dentro da água suja do arroio e o enfiaram dentro de um saco. Em
pouco tempo o descabeçado foi embora rumo ao DML, mas as pessoas continuaram
por ali. O filho adolescente do zelador do prédio em que moravam Mirna e
Cecília apareceu na rodinha em que elas estavam e declarou:
― Escutei o bombeiro
dizer que a cabeça do cara foi arrancada por mordidas. Tipo, alguma coisa com
dentes enormes abocanhou o homi e fez aquele estrago todo.
― Ai, minha Nossa
Senhora – Mirna fez o sinal da cruz sentindo nas suas entranhas um calor que a
perseguia desde que tinha doze anos. ― Uau. Então a coisa tinha... dentes
grandes?
― Grandes e afiados – Rodriguinho confirmou. ― O pior de tudo é
que está solto por aí, né? Sei lá. Pode estar até mesmo no meio de nós.
Cecília se arrepiou de pavor. Já Mirna teve outro tipo de arrepio.
― Será mesmo? Mãos
grandes também?
Vários olhos pousaram sobre Mirna que logo fez questão de se
explicar:
― Pode ser um
psicopata. Daqueles.
― Bem, de qualquer
forma, a polícia vai cuidar do caso. Pra mim chega – Cecília bocejou e consultou as horas. ― Tenho mais o que fazer. É muita emoção para uma manhã apenas. Bom
dia.
Cecília deu as costas para o pequeno grupo e foi embora. Aos
poucos, as outras pessoas fizeram o mesmo. A última a ir embora foi Mirna,
pensando em tudo o que presenciara e com os olhos fixos no brigadiano forte que
conversava com um dos vizinhos.
― Ai, ai... deve ser
uma coisa realmente enorme.
*
O fato gerou curiosidade na cidade inteira e maior apreensão no
Menino Deus. Todo mundo só falava nisso no supermercado, nas 500 farmácias do
bairro, no shopping. Ainda não havia se chegado à conclusão nenhuma. E o
mistério continuava. Alguém levantara a hipótese de um lobisomem estar vagando
pelo bairro. Quando soube dessa possibilidade, Mirna enlouqueceu de vez.
Decidiu ela mesma ir à caça da “coisa”. Como ninguém sabia o que havia matado o
infeliz, cuja identidade ainda era desconhecida, a vizinhança apelidou a coisa
de “A Coisa do MD”.
Eram duas horas da manhã de uma segunda-feira, quatro dias depois
do aparecimento do homem sem cabeça no arroio Dilúvio. Mirna esperou o marido
pegar no sono. Depois, se levantou com cuidado, vestiu uma roupa mais sedutora,
passou um batom e um perfume, e foi pra rua. O que Mirna queria encontrar nem
mesmo ela sabia. Mais emoção, talvez. Sua vida andava muito chata. Vai que a
coisa medisse 1,80 cm, olhos azuis e fosse gentil? Bom, a Coisa havia destruído
a cabeça de uma pessoa. Mirna, porém, sabia ser uma mulher bonita e atraente.
Caso encontrasse a criatura desconhecida, talvez, o tratamento fosse outro.
A noite estava fresquinha e agradável. E não havia ninguém na rua.
Os sem tetos deviam estar dormindo. Um que outro carro passava por ali sem se
importar com uma mulher de cabelo loiro passeando sozinha pela Avenida Ipiranga
a espera de um encontro inusitado. Depois de meia hora passando de um lado para
outro, algumas vezes se debruçando na ponte para ver se encontrava algo e
outras vezes bocejando, uma voz varou a madrugada:
― E aí, Dona Mirna? Insônia?
― Puta que pariu – murmurou ela
enquanto se virava para trás e dava de cara com o filho do zelador. Sim, aquele
adolescente metido e fofoqueiro a encarava de cima da sua bicicleta, pronto
para entrar no prédio.
― Muita insônia – a voz saiu fria e
antipática. ― E você não era para
estar na cama, Rodriguinho? Não tem aula logo cedo?
Mirna percebeu um sorriso vindo dele. Algo meio debochado.
― Minha turma tá sem professor.
― Ah, bom. Problema seu. Boa noite.
O rapaz soltou uma risada e entrou no prédio. Mirna suspirou. Com
absoluta certeza ele iria abrir a boca que encontrara a vizinha do 205
caminhando pela Ipiranga na madrugada. Bem, eu vou negar tudo, decidiu Mirna.
Decidiu também que só ficaria mais dez minutos por ali e voltaria para casa
antes que a ameba do esposo acordasse e não a encontrasse na cama. Tentaria
outra noite. A Coisa iria retornar, ela tinha convicção disso. Era só uma
questão de tempo.
Naquele exato momento, um som esquisito às suas costas, fez com que
Mirna se voltasse bruscamente. A princípio, não enxergou nada. Mas quando seus
olhos se acostumaram com a escuridão ela abriu a boca para soltar um grito. O
grito não saiu. A Coisa foi mais rápida.
*
O corpo de Mirna foi avistado por Cecília. Ela estava calmamente
tomando seu chá na janela quando o corpo da vizinha passou boiando no Dilúvio.
Cecília deu um berro. Não havia como ter se enganado. O cabelo de Mirna estava
espalhado ao redor da sua cabeça, intacta. Porém, ao contrário da primeira
vítima, A coisa tinha devorado Mirna da cintura para baixo.
Tudo se repetiu exatamente como da outra vez. Surtada, Cecília
ligou para o 190, deu a notícia e desceu para conferir o estrago. Outras
pessoas já se acotovelavam à beira do Dilúvio e sirenes da polícia se faziam
ouvir. A comoção era geral. Mirna era muito conhecida. Uma ambulância foi
chamada para acudir o viúvo. Rodriguinho já tinha espalhado, para quem quisesse
ouvir, que flagrara Mirna caminhando pela Ipiranga em plena madrugada alegando
insônia. Naquele momento, dois brigadianos conversavam com ele, inclusive. A
perícia foi chamada. Não demorou muito para ser revelado que a mesma coisa que
arrancara a cabeça do homem havia sido a mesma que comera a parte debaixo do
corpo de Mirna.
Incredulidade. Medo. Assombro.
O bairro Menino Deus agora era notícia no Brasil inteiro.
*
Informalmente, foi dado um toque de recolher no bairro. Mal
escurecia e ninguém mais saía para as ruas. Farmácias, shopping, academias,
escolas, supermercados e afins. O sol se punha e o Menino Deus ficava um
deserto. Os carros continuavam passando, esporádicos. A impressão que se tinha
é que o bairro era uma cidade fantasma assim que anoitecia de vez.
Menos para o Rodriguinho.
Rodrigo Jr. estava se lixando para aquela coisa que ninguém sabia o
que era ou onde vivia. Continuou com seus hábitos normais, apoiado por Rodrigo
pai, que não tinha criado filho para ser um cagão trancado dentro de casa, enquanto
a vida acontecia lá fora.
Naquela noite Rodriguinho chegou cedo da Cidade Baixa, por volta da
meia-noite. Dobrou a Avenida Ipiranga de bicicleta quase derrapando, em alta
velocidade. Sua visão lateral captou um vulto sentado no alto da escadaria que
terminava no Dilúvio. O rapaz largou a bicicleta na calçada e se aproximou. Era
o viúvo de Mirna, seu Adelmo.
― Oi, seu Adelmo. Respirando um ar puro?
De dentro do arroio vinha um cheiro fétido. Adelmo não entendeu a
ironia.
― Ah, boa noite, Júnior. Tudo bem com você?
― Tudo ótimo.
Rodriguinho resolveu sentar ao lado do homem. Adelmo fumava um
cigarro e volta e meia soltava longas baforadas.
― Sinto que sou o culpado – disse ele, de repente.
― Pelo quê?
― Pela morte da Mirna.
― Ah é? Mas o que o senhor fez para causar a morte da Mirna? Jogou
ela dentro do Dilúvio?
Só ele riu da piada besta. Vendo que a coisa era séria, Rodriguinho
logo se recompôs.
― Somente agora eu percebo que não entendi minha mulher. Não
compreendi os sinais que ela emitia de insatisfação. Sabe, ela tinha desejos.
Desejos íntimos. E eu não levei isso em consideração. Então eu entendo porque
ela foi parar no meio da avenida naquela madrugada. Ela queria encontrar alguém
que saciasse seus instintos, já que eu não fui capaz.
― E parece que deu certo, né? A Coisa a devorou da cintura pra
baixo. Uau.
Adelmo pareceu não escutar Rodrigo. Ainda bem.
― Se eu tivesse sido homem para Mirna, hoje eu não estaria viúvo.
― Seu Adelmo, não se
culpe – Rodriguinho deu uma batidinha de leve nas costas curvadas do homem. ―
Se cada esposa insatisfeita deste bairro resolvesse sair pra rua em protesto, com
certeza a gente assistiria a uma rebelião.
― Espero que minha esposa me perdoe onde quer que esteja.
― Mas que merda é aquela?
Rodriguinho foi atraído por dois olhos amarelos e brilhantes na
escuridão, subindo, devagar e atento, a escadaria.
― Sim, a vida pode ser uma merda, meu rapaz.
― Seu Adelmo, olha pra frente!
O homem pareceu acordar. A Coisa tinha parado, por alguns momentos,
de subir os degraus, somente observando-os. Por instinto, Rodrigo recolheu as
pernas que, aliás, já nem sentia mais.
― Que porra é esta? – Adelmo continuou sentado, intrigado e
assustado demais pra se mexer.
― É um aligator! – Rodriguinho conseguiu ficar em pé. ― Corre que é
fria, seu Adelmo!
Mas Adelmo não teve tempo. O movimento foi rápido. O aligator
avançou para cima de Adelmo e o abocanhou de uma vez só, levando-o para mais
abaixo, quase nas águas. Rodrigo, paralisado, se postou no alto da escadaria,
na ciclovia. Escutou sons estranhos como se alguém estivesse sendo devorado.
Achou que deveria registrar aquele momento. Afinal, A Coisa fora descoberta.
Era um crocodilo gigante e esfomeado e talvez ele pudesse ganhar alguma grana
se...
― Epa, sai pra lá, cacete!
O aligator, não tão saciado com a carne de Adelmo, começou a subir
outra vez a escadaria. Rodrigo colocou o celular dentro do bolso da calça jeans,
deu meia volta e saiu correndo. Pelo seu pouco conhecimento em vida animal,
sabia que jacarés não eram muito velozes, o que lhe deu um alívio momentâneo
até olhar para trás e ver que o bicho estava quase nos seus calcanhares.
― Socorro! Socorro, alguém me ajuda! Vou ser comido vivo!
Rodrigo atravessou a ponte da Getúlio Vargas em direção a sua casa.
Não teria tempo de pegar a bicicleta e sumir dali. Muito menos de pegar a chave
e abrir a porta do prédio em que morava.
Mas havia um poste.
Ele se lançou sobre aquele poste com a intenção de subir o mais
alto que pudesse. Rodriguinho estava na metade da subida quando o bicho agarrou
a barra da calça com os dentes. E que dentes.
― Me solta, réptil desgraçado – ele sacudiu o pé, violenta e
desesperadamente. ― Volta pro Dilúvio, bicho filho da puta!
Contudo, mesmo depois de ter devorado Adelmo, o aligator ainda
continuava com fome.
*
Cecília acordou, de repente, sonhando que estava num lugar em que
uma pessoa clamava por socorro. Sentada na cama, percebeu que a gritaria era
real.
Tensa, ela levantou e pôs um chambre. A gritaria continuava.
Cecília escutou janelas se abrindo e outras vozes se juntando a da pessoa que
pedia ajuda. Logo chegou à janela também e puxou a persiana para cima. Um urro
veio das suas entranhas. Rodriguinho estava agarrado num poste com uma coisa
parecida com um jacaré gigante puxando sua perna.
Ela abriu a porta do apartamento como se fosse salvar sua própria
vida. Desceu as escadas quase caindo e, quando chegou frente à porta do zelador,
desabou de vez. Bateu forte quatro, cinco vezes. Rodrigo Pai abriu a porta e
não entendeu porque a vizinha do 801 estava caída no tapetinho de entrada.
― A senhora está sentindo alguma coisa?
― O seu filho... – ela mal podia falar. ― Tem um jacaré querendo
comer a perna do Rodriguinho ali na esquina.
― Como que é?
Rodrigo Pai pegou um espeto de bom tamanho e saiu porta afora.
Cecília foi atrás. Na rua já havia alguma movimentação, porém ninguém ousava
chegar perto do poste. A barra da calça de Rodrigo Júnior já tinha sido comida.
Mas o aligator não estava satisfeito.
― Paiê! Me tira daqui!
Sem medo e com a firme intenção de salvar seu único herdeiro,
Rodrigo Pai firmou o espeto entre as mãos e correu na direção de ambos. À
distância já se escutavam sirenes. Com um berro, o homem avançou sobre o jacaré
com a firme intenção de cravar o espeto nas costas dele.
O espeto entortou ao encostar na pele do bicho.
A audiência nas janelas dos prédios ao redor era grande. Escutou-se
um “oh” quando Rodrigo Pai caiu para trás com o impacto do espeto que entortara
nas costas do aligator. O animal, por sua vez, olhou na direção do homem e
percebeu que ele poderia sim ser a sua sobremesa. Cecília se aproximou de
Rodrigo Pai e tentou puxá-lo pelo braço ao mesmo tempo em que o aligator vinha
balançando o corpo mostrando toda sua surpreendente arcada dentária.
― Vem, seu Rodrigo. A Coisa vai comer o senhor inteiro. Precisamos
sair daqui!
Mas Rodrigo Pai tinha deslocado a lombar quando caíra no chão e mal
conseguia se mover. Arregalou os olhos, surtado, vendo a coisa chegar mais
perto pronto para abocanhar a ele e Cecília. Àquela altura, já não correndo
mais tanto perigo, Rodrigo Júnior criou coragem e pulou para o chão.
― Pai, enfia os dedos nos zoio dele!
Se Rodrigo Pai escutou a recomendação desesperada do filho, nunca
se soube. Cecília, de tanta força que usou para puxar o vizinho, desabou no
chão também. Mais um “oh”. As viaturas das forças de segurança pararam na
esquina bem a tempo de ver o aligator abrir a mandíbula para devorar, de uma
vez só, Rodrigo Pai e Cecília.
Um policial empunhando um taser disparou uma onda de choque que fez
o bicho paralisar e cair para o lado, quase aos pés dos dois. Ambos levaram um
tempo para se darem conta que estavam salvos até que um bombeiro se aproximou e
jogou uma rede sobre o jacaré desfalecido.
Uma salva de palmas irrompeu a noite. Rodriguinho agradeceu achando
que os aplausos fossem para ele.
*
Embora o mistério estivesse resolvido e o jacaré levado embora
enjaulado, um receio envolvia os moradores que ainda estavam pela rua tarde da
noite. E se o bicho fosse fêmea e tivesse deixado de herança alguns ovos?
― Eu não tenho saúde para enfrentar outro jacaré na minha vida –
sentenciou Rodrigo Pai. ― E se for uma jacaroa? Vocês já pensaram nisto?
Cecília deu um passo à frente.
― Para quem não sabe, a palavra jacaré é um
substantivo epiceno. Ou seja, possui só um gênero gramatical para designar um e
outro sexo. Resumindo, existe o jacaré-macho e o jacaré-fêmea. Jacaroa
significa outra coisa. –
Cecília arrematou ainda. ―
Sou professora de Língua Portuguesa.
― Ah, então está certo – Rodrigo Pai chegou a piscar com o tamanho
da explicação. ― De qualquer forma, depois que quase fui comido por um jacaré
seja lá qual sexo esta coisa for, eu mereço tomar um porre e ir dormir. Vem,
Júnior. Nossa cota de emoção para o ano já extrapolou.
Pai e filho se retiraram. Aos poucos as pessoas foram se
dispersando em pequenos grupos. Cecília ficou mais um tempo olhando para o
arroio Dilúvio e suas águas escuras e paradas.
Morar no Menino Deus podia ser bem emocionante.

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