DELE EU SÓ SABIA O NOME - Cap. 2
— Você tem
certeza que este homem existe, Tati?
Paula me
encarou enquanto tomava um gole de chá bem sentada na sala do meu apê. Eram dez
horas da noite e eu continuava alucinada.
— Claro que
sim. Ele era real. É real.
— Menina,
você tinha que ter pego o contato dele! Onde já se viu deixar um gato desses
passar?
— De que
jeito, Paula? A louca da namorada saltou de repente do nada e se grudou nele.
Acho que ela queria me matar.
— Óbvio que
sim. Bem, vamos ser práticas. O que você pretende fazer?
— O nome
dele é Felipe. Já é alguma coisa. Minha ideia é a seguinte. Voltar ao local do
acidente no mesmo horário que tudo aconteceu e tentar encontrá-lo. Caso ele
esteja acompanhado da bisca, eu tento segui-lo.
— Ótimo. E se
ele estiver sozinho?
— Eu ofereço
uma carona. Não é sensacional minha ideia?
*
Paula não
achou minha ideia tão boa assim, mas era a única opção que eu tinha para aquele
momento. Me descobri completamente obcecada por aquele homem. Nem dormi direito
e no pouco que peguei no sono, sonhei com Felipe. Não podia ser normal aquilo.
Interpretei como um sinal dos céus. Talvez ele estivesse destinado a mim.
24 horas
depois do acidente eu estava no mesmo lugar. O trânsito se mantinha intenso e
eu, tensa. O dia inteiro trabalhei pensando como seria quando me deparasse com
Felipe. Me sentia ansiosa e um pouco idiota também. Porém, estava decidida. Se
eu não visse Felipe naquela noite, voltaria no dia seguinte. E no dia seguinte,
e no dia seguinte, e no dia se...
CABRUM!
Depois de
dez segundos de puro atordoamento me dei conta que eu havia batido no carro da
frente.
No mesmo
lugar que eu havia atropelado o Felipe.
Desci do
carro irritada comigo mesma e praguejando porque o imbecil do motorista não
havia se distanciado o bastante do meu. Talvez eu não tivesse tanta razão, mas
o fato é que aquela porrada havia frustrado meu plano infalível de encontrar o
Felipe naquela noite.
A porta do
outro carro abriu. E quando me deparei com o motorista quase caí pra trás.

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