CONSELHEIRA SENTIMENTAL - UMA PROPOSTA INDECENTE
Prezada C. S.
Meu namorado me traiu. Não descobri sozinha. Ele que me contou. Eu
estava desconfiada que alguma coisa estranha estava acontecendo e nem foi
preciso que eu pressionasse. Jorge contou sozinho depois de três latinhas de
cerveja. Ele chorou. Eu também. Foi com uma tal de Roberta, amiga dele. Eu a
conhecia, ela não tem nada demais. Posso dizer que sou até mais bonita. Fiquei
magoada, chocada. Roberta sempre foi simpática comigo, nunca imaginei que ela
fosse afim do meu namorado. Jorge jurou que foi só sexo. Tipo, bateu uma
vontade. Será que devo ficar agradecida por Jorge ter contado para mim? Não
sei. Ele me pediu perdão. Trouxe flores e bombons para me reconquistar. E
conseguiu. Confesso que desde aquela vez comecei a ficar com o pé atrás.
Afinal, ele poderia estar me botando guampa ainda. Era difícil confiar em Jorge
100%. Aguentei no peito aquela traição. Escondi de todo mundo. Se minha família
soubesse, exigiria que eu acabasse tudo. Mas eu amava Jorge. E não queria abrir
mão dele.
Aí aconteceu algo inacreditável. Eu já estava quase superando a
traição quando Jorge chegou todo estranho para mim. Confessou, todo sem jeito,
que continuava a ver Roberta. Meu coração parou. Então veio a proposta. Jorge
perguntou se eu queria fazer parte de um trisal. Tri-sal. Eu, Jorge e Roberta.
Um relacionamento a três. Já li algo sobre isso. Nem acreditei quando escutei
aquilo. Eu dividir meu homem com outra mulher? Mas, como assim? É moderno? O
que minha família tradicional vai dizer de uma coisa destas?
Não sei o que fazer. Não quero perder Jorge. Devo aceitar fazer
parte de um relacionamento assim?

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